O Dia
Escolha certa ajuda a reduzir barulhos, definir espaços e garantir a segurança
No projeto da moradia, a porta não deve ser vista apenas como fechamento dos cômodos mais óbvios, como quartos e banheiros. É um elemento que fecha e abre uma passagem com facilidade, de acordo com o controle do usuário.

Portas feitas de madeira maciça aguentam mais a chuva e o sol. Na imagem, modelos da Portello Foto: Divulgação
A arquitetura moderna trouxe sua interpretação dos componentes da porta, muitas vezes utilizando batentes metálicos – bem mais finos do que os de madeira -, ou abrindo um rasgo do piso ao teto, na parede, mantendo a altura da porta padrão de 2,10 m e fazendo um fechamento acima disso (bandeira) com madeira ao invés de alvenaria.
Profissionais mais minimalistas estão mudando a configuração da porta, fazendo-a com batente invisível, sem guarnição e do piso ao teto, camuflando-a na parede. Na prática, implica num detalhamento sofisticado, peças especiais, primorosa execução e adaptação de ferragens.
Voltando ao convencional, hoje em dia, as obras dispensam o contra marco – peça de madeira que era chumbada na alvenaria para receber o batente -, e optam pela fixação química, com espuma expansiva de poliuretano. Existe um “kit-porta pronta”, que vem com todos os componentes e facilita a execução.
A folha lisa pode ser oca ou maciça. As primeiras são encabeçadas com madeira e sarrafos espaçados internamente, só devem ser usadas em áreas internas e não podem ser cortadas em qualquer ponto. Existe uma margem de 1,5 cm, nas extremidades, para cortes de ajustes. Já as portas maciças são completamente sarrafeadas internamente, o que é uma vantagem por ser mais resistente.
Material e dimensões
Existem as portas feitas de madeira maciça, que aguentam mais a chuva e o sol. Em geral, são confeccionadas de peças de madeira e formam algum desenho, como almofadas ou ripas paralelas (mexicana), entre outras. Como todo produto feito em madeira, deve ser muito bem seca em estufa e ter certificação da procedência.
As dimensões disponíveis no mercado são: 62 cm, 72 cm, 82cm ou 92 cm x 210 cm, com espessura de 35 mm. Há alguns anos, para dimensionar a abertura de uma porta, o critério ficava no status do ambiente e na necessidade de utilização: como cozinhas donde saem bandejas, entrada e saída de mobiliário etc.
Hoje, com o conceito de inclusão inserido no dia a dia, o recomendável é que as passagens de uma casa tenham no mínimo 80 cm de largura, mesmo nos banheiros, para permitir o acesso de um cadeirante.
Quanto ao tipo de abertura, sempre que possível opte pela porta de girar (abrir). Este é o curso mais natural do movimento de passagem. Use a porta de correr quando essa for realmente a solução.
Uma questão importante a ser levantada é que muito da passagem do som de um cômodo para outro se dá pela porta. A pouca massa das portas ocas e as frestas favorecem o vazamento do barulho. Existem no mercado escovas de vedação que podem ser usadas para preencher o vão que fica no piso e um perfil de vedação para ser colocado no batente. Ambos auxiliam a minimizar esse problema.
Pensando a soleira
A soleira da porta é um elemento que geralmente só é lembrado ou descoberta sua existência e importância na hora de sua colocação. Para facilitar a compreensão de onde se localiza essa peça, podemos dizer que é a parte inferior do vão da porta. De fato, a soleira está associada à porta, mas sua relação de continuidade ou interrupção se dá com o piso.
Na década de 60, era comum, nos pisos de tacos de madeira ou cerâmicas com formatos pequenos, dispô-los em direção perpendicular ao piso dos ambientes e paralelos entre si, enfileirados, fazendo assim a divisão dos espaços sem misturar muito os materiais.
Hoje, a preferência é por peças únicas. Porém, principalmente no caso dos pisos cerâmicos e porcelanatos, não existe no mercado uma peça pronta do mesmo material utilizado no piso para essa finalidade.
Isso é até justificável pela dificuldade de padronização dos tamanhos de soleiras, muito embora exista padronização dos batentes das portas, nem sempre as paredes têm as mesmas dimensões destas.
Estes são os problemas da realidade das construções. Será que o mercado conseguiria alguma nova alternativa?
Por exemplo: como resolver a soleira entre um banheiro e um dormitório, sendo que o primeiro tem piso de madeira e o segundo, mármore? A folha da porta do banheiro estará faceando o lado interno. Neste caso, quando a porta estiver fechada, pelo lado do quarto você verá toda a soleira encontrando o piso de madeira. Visualmente seria interessante a soleira ser de madeira, mas quando for feita a lavagem do banheiro, esta estragará com o passar do tempo. Neste caso, há duas alternativas.
A primeira é colocar uma soleira em peça única de mármore – o mesmo do piso. Assim, quando a porta estiver fechada, do lado do quarto veremos o mármore encontrando a madeira e quando estiver aberta veremos ambos os materiais.
A segunda seria colocar uma peça estreita da espessura da porta, que chamamos de “baguete”, para o lado do banheiro, e no restante do espaço da soleira uma peça de madeira. Assim, quando a porta estiver fechada veremos do lado do quarto a madeira, dando continuidade ao piso do quarto, e protegeremos a madeira das lavagens do banheiro com a peça de mármore. Com a porta aberta, veremos, da mesma forma que situação anterior, os dois materiais.
Os componentes
Batente – perfil fixado na abertura da alvenaria. É o local onde fixa, bate e para a folha. Tem a largura da parede ou medida padrão de 15 cm ou 25 cm.
Folha – peça que gira, corre ou articula. É fixada no batente por dobradiças ou pivô. Quando é do tipo que corre, pode ficar fora da área do batente.
Guarnição – sarrafo com acabamento que serve para esconder o encontro do batente com a parede.
Ferragens – dobradiças ou pivôs que fazem a porta girar – ou ainda trilhos para portas de correr -, maçanetas e puxadores para a manipulação e fechadura para trancar.
